Na cama. Na cama, já despidos. Na cama tento que o que restou para eu poder dar, seja o bastante. Devagar, que a carne ainda dói.
A sua insistência vai-me sufocando. Calma, digo, sossega, peço, deixa a cola secar para unir bem os pedaços que partiste. Mas insiste como se não me ouvisse.
Fecho os olhos com força, com aquela força que nos livros é descrita como "cerro os olhos", mas eu digo que fecho os olhos porque cerrar pressupõe uma firmeza que já não tenho. Fecho os olhos e faço por não ver mais do que os nossos corpos naquela cama.
Devagar, parece que consigo. Solto os meus lábios dos dele para lhe dizer a frase que me apetece. De repente não posso. De repente a frase que calei é a mesma frase que ele disse a quem não podia ter dito, quando não podia ter dito. De repente é Jasão, e não outro, quem, em cima de mim, fode com urgência. Com tanta urgência que não percebe que me escorrem lágrimas de ira, que não percebe que nos meus punhos cerrados não guardo um orgasmo à espera de vez, mas sim uma revolta capaz de o estrangular.
Todavia não o faço. Não estendo as mãos para lhe apertar o pescoço traidor e mentiroso. Aperto a cona, isso sim. Aperto-a em torno dele e na minha boca cresce a grossa e acre saliva da vingança, da vingança de o fazer pagar na mesma moeda, de lhe ser infiel com ele mesmo.