Primeiro é a pancada forte nos olhos que nos cega. Depois voltamos a ver, não importa se vemos claro ou não, já distinguimos formas.
Foi nessa altura que me levantei. Que saí de casa, bem vestida, maquilhada, faminta, sedenta, gelada, artilhada para a caça. Foi nesse dia que voltei a ser uma das que já fui e, sem hesitar um só segundo, sem pensar em nada, escolhi o homem que deixaria que me seduzisse. Não foi difícil, eu estava ali para isso. Foi sexo, foda genuína, apenas foda. Exactamente. Essa primeira abriu o caminho a outras, tantas quantas quis. A essa, outras se seguiram. Em pouco menos de uma semana, no meu corpo não restava um só resquício do que era antes, do que tinha sido. Em duas semanas o meu corpo estava macerado, dorido, esgotado. E ainda assim continuei. Foram todas minhas, essas fodas que quis. Fodi para além de me esquecer porque ali estava. Já não importava porque ali estava. Já não sabia porque ali estava. Estava porque queria, fodia porque queria, voltava a foder porque queria.
Até que no meu corpo não sobrou nada, absolutamente nada, nada do que tinha sido.