Um indício só passa a sê-lo quando, mais à frente, se associa a episódios semelhantes. Antes disso não é mais do que um episódio isolado, não há por que culpar quem não lhes dê a importância que deveriam ter.
Por isso já parei de dar palmadas na minha cabeça enquanto resmungo como fui burra.
As fissuras no vidro frágil sobre o qual caminhávamos estalaram, alargaram-se, deram de si, mostraram que por debaixo delas outros episódios se acumulavam. Não muitos, não vi muitos, uma vez mais vi apenas o que as coincidências e os azares me mostraram, uma vez mais nada procurei, nem sequer quando estes, mais estes, me mostraram a sua cara feia de mentira. Não de meia verdade, desta vez. Sim, perguntei. Ainda perguntei. Perguntei pedindo a verdade, fosse ela qual fosse. E ainda assim a resposta foi uma mentira. Não uma meia verdade sequer, uma mentira.
A taça já não transbordou. Partiu. Partiu-se. Partida em mil pedaços, cola-a tu com dois abraços, canta o poeta, mas sem saber que nos dias de verdade não há cola nos abraços.
De repente, tudo se põe em causa. Um indício posteriormente confirmado, ainda se releva, vá-se lá saber porquê. Os episódios seguintes, agravados com mentiras, são uma manta negra que se estende à nossa frente, que cobre tudo o que antes lá estava e sobre a qual já não se pode caminhar.
Nesse momento percebemos quão fina é a linha que separa a desilusão do amor.